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20.01.2020
Como o Alentejo vitivinícola quer mudar o paradigma nacional

Com pouco alarido foi lançado em 2015 o Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA). Esta iniciativa de adesão voluntária é promovida pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e dirigida aos produtores de uva e de vinho da região Alentejo. Os conteúdos do PSVA foram desenvolvidos por um grupo de trabalho que envolveu produtores do Alentejo, Universidade de Évora, e a Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo, incluindo uma fase de auscultação dos associados da CVRA para sugestões e comentários aos conteúdos.
 
Os grandes pilares deste Programa prendem-se com a redução de custos e o aumento da viabilidade económica dos produtores, alicerçado no incentivo da pro-atividade em relação ao aumento das pressões ambientais, respondendo de igual forma a preocupações sociais. Desta forma, não são sugeridas melhorias que possam por em risco a viabilidade económica do negócio. Na realidade, não se fala de custos mas de investimentos, regra geral para otimização de processos, aumento de eficiências, e por consequência redução de custos e poupanças diretas ao nível económico.

Claro que sendo o ambiente, a base onde a atividade vitivinícola está alicerçada, este tem um papel de relevo em qualquer estratégia de sustentabilidade, sendo porventura a sua parte mais visível e mediática. O PSVA trabalha ao nível da ecoeficiência e da produção mais limpa, promovendo melhores práticas ao nível da boa gestão de água, e energia, sempre alinhados com as premissas da redução, reutilização e reciclagem (premissas que se estendem muito para lá da mera gestão de resíduos).
 
No campo, promove-se a boa gestão dos solos, a redução no uso de fitofármacos, a utilização de organismos auxiliares, a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade, a conservação e restauro das linhas de água, o recurso aos modos de produção integrada e biológica. Na adega, a eficiência energética e o uso racional da de água são prioritários, mas também a redução dos resíduos produzidos. Promove-se a desmaterialização de processos, bem como o uso de produtos mais verdes, como rolhas, barricas e outros materiais de florestas certificadas.

É encorajada a formação dos colaboradores para que eles também percebam que os esforços das empresas pela sustentabilidade vão muito além da vinha ou da adega, acompanhando-os quando voltam para junto das suas famílias. E aqui começamos a falar da componente social do PSVA. Trabalha a formação contínua, bem como questões associadas à higiene e segurança, ao envolvimento de toda a equipa nas decisões estratégicas ao nível operacional, a sinergias entre as adegas e as comunidades envolventes, e no papel preponderante que esta agroindústria tem na socio-economia regional.
 
No momento o PSVA tem 383 membros, com perspetivas de crescimento contínuo nos próximos anos. Em termos de área de vinha plantada, estes membros (num universo de 1800 viticultores, e 280 adegas) representam aproximadamente 47% da área de vinha registada na CVRA, significando isso que os principais atores estão nas nossas fileiras.

Como atrás indicado, o PSVA, através da sugestão de boas práticas, tem entre outros contribuído para a redução em até 30% do consumo de energia em vários produtores, ou reduções de 20% no consumo de água. Estamos a aumentar as taxas de reciclagem e a promover a economia circular com 38% de nossos membros a converter os resíduos orgânicos em adubo para aplicação como fertilizante no campo. 43% dos nossos membros já implementaram planos de gestão de rega, o que lhes permite um uso de água muito mais eficiente, e 62% monitorizam o consumo de água.

Mesmo ao nível dos colaboradores, 33% dos nossos membros criaram um grupo dedicado à implementação de práticas mais sustentáveis nas suas empresas. Em relação ao rácio litro de água, litro de vinho, temos produtores que já atingiram valores de poupança impressionantes, estando nos 1,2l de água por 1l de vinho, enquanto outros, quando iniciaram o seu envolvimento com o PSVA estavam nos 14l aproximadamente, e hoje 4 anos depois, já conseguiram reduzir para 5l por 1l de vinho.

No futuro próximo, o PSVA quer continuar a crescer em número de membro, com uma certificação de terceira parte do PSVA, a chegar já em 2020, e a disponibilização programada para o final ainda deste ano, de ferramentas eletrónicas para os membros determinarem as pegadas hídrica e carbónica, aferindo o impacto das práticas implementadas.

 
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